sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sumimasen

   Tudo o que se via estava mergulhado em ferrugem. Uma paisagem rústica, morta, mas que continha uma apocalíptica beleza. Beleza ácida, ácida de fato, graças, supõe-se as marcas de tiros nos tanques, de onde escorria o claro liquido. Era impressionante o fato de mesmo naquele estado aquilo resistir, afinal, até mesmo o céu envolta ardia em uma surreal visão do inferno. Tempestades rugiam no interior de nuvens de fogo e a fina chuva parecia evaporar poucos metros abaixo.

   O chão se desfazia a cada passo seu, deixando para trás pegadas fracas que se esvaiam ao mais leve toque do vento, que parecia alheio ao caos existente ali.
   Podia-se ouvir ao longe o fraco choro dos motores na antiga casa de maquinas e ocasionalmente podia-se sentir o tremor causado pelo reajuste dos propulsores, que agora já não possuíam mais a chama dos tempo em que naquele lugar havia o que pode-se chamar de vida. Alguns antigos robôs de manutenção vagavam a esmo pelo local, desorientados desde a falha no sistema de inteligencia artificial da cidade.
   Aproximando-se da porta ele pôde ver, rente a parede, o que parecia ser metal, logo acima, marcas na parede que pareciam feitas a fogo. Ainda podia sentir-se o calor vindo da peça de metal. Ao passar pela porta, que abriu-se com um dolorido ganido, ele pensou ter visto movimento, mas ao virar-se, tudo parecia normal.
   O interior do prédio possuía um odor acre, como uma mistura de ferrugem, fumaça e uma essência singular. Morte era essa essência. O odor putrefato lhe invadiu as narinas e o pesado ar lhe ardeu os olhos. Quando finalmente foi capaz de abri-los maravilhou-se com visão a sua frente. Orgulhava-se da, de fato, singular capacidade que possuía de ver a beleza até das paisagens mais caóticas. Aonde qualquer um veria somente uma monótona paisagem da arquitetura arruinada pelo tempo, ele via uma intrigante tela de um tímido vinho, sutilmente encoberto pelas sombras. Ao longe, no canto, um vermelho vivo, forte. Enquanto caminhava até a luz viu a sua direita, em meio a escuridão, dois pontos de luz azul escuro, como olhos o observando. Ao aproximar-se da vibrante cor, que brilhava sob a fraca luz, não se surpreendeu ao descobrir o que era, mas sim por encontrar aquilo ali. Sangue. Mesmo em um lugar tão sem vida a Morte não perdoa nenhum descuido...

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